Diante de um contexto político onde as forças militares controlavam o país, os meios de comunicação também ficaram subordinados a essa dominação. Coerente com tal período, o autor Luiz Antônio Marcuschi, classifica os discursos no artigo “Verbos introdutores de opinião”, em dois tipos: de populares e do poder. O primeiro se refere a anônimos -como entrevistados em delegacias de polícia-. Já o segundo se subdivide em três classificações: oficial -referente ao governo-, para-oficial -referente a instituições ligadas ao governo- e oposição -referente àqueles desligados e contrários ao governo-.
Nessa classificação torna-se clara a influência política nos discursos jornalísticos e também a força que os verbos introdutores de opinião representaram nesse período e ainda representam. Nos dias atuais, entretanto, não há um vínculo explícito dos meios de comunicação com o governo, principalmente porque a censura explícita, tal qual no período de ditadura militar, foi extinta. Dessa maneira, os veículos de comunicação possuem liberdade para dizer e escrever sem passarem pelo crivo do governo.
Assim, contrariando a classificação de Marcuschi, diante de uma inversão política no cenário nacional, o que antes foi oposição, pode deixar de ser, é possível criar outra tipificação, sem, no entanto, reduzir a influência dos verbos introdutores nas transposições. Permanecem as divisões entre discursos do poder (políticos) e de populares (anônimos entrevistados em situações cotidianas, catastróficas ou de interesse comum), todavia, pode-se criar também uma terceira macroclassificação: discurso das celebridades. Visto que, na atualidade, cada vez mais a mídia transforma celebridades em notícias, e o interesse dos espectadores parece crescer.
Em relação ao discurso do poder, já não se faz visível uma discrepância entre governo e oposição, por isso, torna-se justa uma nova subdivisão: oficial, permanecendo para os do governo, quando parte dele por meio do voto popular; e de candidatura, para os opositores que criticam a situação e propõem melhorias para criar uma contraposição, buscando apenas votos. Entretanto, nos dois casos, oficial e de candidatura, os políticos não demonstram compromisso com o povo ao discursar. Mostrar aos cidadãos esse descaso, evidente até no falar dos políticos, parece ser, cada vez mais, uma preocupação dos meios de comunicação, comprovando um contexto político de aparente liberdade, no qual os veículos só se submetem se assim desejarem e se suas ideologias exigirem.
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